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17|ABR

2015

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Tese de atentado sobre Camarate, reiterada por peritos

 

Dois peritos que se dedicaram a estudar a tragédia de Camarate repetiram no Parlamento a tese de atentado "ardiloso", com um pequeno explosivo, para passar despercebido e indiciar falha mecânica ou outro incidente na queda do avião.

O especialista em exploração de minas Henrique Miranda e o engenheiro metalúrgico José Cavalheiro, ambos docentes universitários entretanto aposentados, explicaram na comissão parlamentar de inquérito às mortes do então Primeiro-ministro Sá Carneiro (PPD-PSD) e seu Ministro da Defesa, Amaro da Costa (CDS), e sua comitiva, que o "puzzle" montado desmente a primeira versão oficial de acidente há 35 anos.

"Foi feito com extrema habilidade, por um profissional, como, por exemplo, as Torres Gémeas de Nova Iorque, dois edifícios que pareciam indestrutíveis, mas foram derrubados com dois 'cocktails molotov' carregados de passageiros", afirmou Henrique Miranda.

O perito garantiu que, depois de "juntar as peças, algumas estragadas pelo uso ou perdidas", foi possível "vislumbrar a imagem do puzzle": "houve uma carga (explosiva) não muito grande, mas de grandes efeitos, que induziu o desgoverno mecânico ou a impossibilidade de os pilotos reagirem, pelo incêndio ou a intoxicação com monóxido de carbono, e a consequente queda" daquele Cessna 421 Golden Eagle.

 

"A minha convicção é a de que isto foi um atentado muito ardiloso na forma como foi implementado", resumiu, ressalvando ser "impossível inferir a existência inequívoca de uma carga explosiva" a bordo daquele bimotor de fabrico norte-americano.

Na teoria de Henrique Miranda, devido a ter sido também encontrada a cabeça de uma granada na pista, o avião terá sido armadilhado, com recurso a fio de pescador junto do trem de aterragem. Ao levantar voo e recolher as rodas, a espoleta foi acionada e verificou-se o pequeno rebentamento na fuselagem, por baixo do piloto, provocando um foco de incêndio e a produção de monóxido de carbono, além de inviabilizar os comandos dos lemes.

O rasto de detritos encontrados desde a pista até ao local do embate da aeronave com as casas é explicado pelo especialista pelo "orifício A", aos pés do comandante, com franjas retorcidas para dentro, o qual terá funcionado como um "spray" (aspersor), em virtude do aumento da pressão em toda a cabina.

"Por análise densitométrica, provou-se que eram estilhaços (ferro/aço) e outras partículas de liga de alumínio tão pequenas que não eram compatíveis com a versão oficial de acidente", concordou o investigador de biomateriais José Cavalheiro, referindo exames radiográficos ao calcanhar do piloto.

Segundo o também antigo professor do ensino superior, é "indesmentível que houve ali uma situação de atentado" e "o comportamento do Ministério Público, ao longo de todo o processo, foi inaudito, digno de uma 'República das Bananas', em termos de falsificação completa da metodologia e das conclusões retiradas, na construção de uma narrativa em torno de hipóteses sem qualquer sustentabilidade".

Na VIII comissão de inquérito a que presidiu Nuno Melo, actual vice-presidente e eurodeputado do CDS-PP, já tinha concluído no seu relatório final, aprovado em Dezembro de 2004 sem votos contra, que a queda do avião Cessna a 4 de Dezembro de 1980 foi provocada por um engenho explosivo a bordo, admitindo um ato de natureza criminosa. As conclusões foram entregues à Procuradoria-Geral da República que considerou existirem "indícios" da prática de um crime, mas não reabriu o processo por ter decorrido o prazo de prescrição.

Entretanto a IX comissão de inquérito terminou em Abril de 2011 devido à dissolução da Assembleia da República, na sequência da demissão do Governo PS e assumiu as conclusões da anterior.

A actual comissão de inquérito ao caso Camarate, a décima, tomou posse a 10 de Janeiro e tem como objectivo dar "continuidade à averiguação cabal das causas e circunstâncias em que, no dia 4 de Dezembro de 1980, ocorreu a morte do Primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do Ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes, designadamente dando seguimento às recomendações emitidas pelas VIII e IX comissões parlamentares de inquérito e investigando factos novos que, eventualmente, lhe sejam apresentados".

 

Dias antes de serem aprovadas as conclusões da VIII comissão de inquérito, Nuno Melo tornou público um relatório da Inspecção-geral de Finanças que denunciava o desaparecimento de 40 milhões de euros do Fundo de Defesa do Ultramar, em 1980.

Do documento constavam negócios de venda de armas a países como a Indonésia, o Irão, a Guatemala, e a Argentina, que tinham sido proibidos pelo então Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Aproveitamos para recordar aqui a data de 18 de Abril, dia em que completaria 72 anos.

"O ministro, que morreu no acidente de avião em Camarate no dia 4 de Dezembro, havia proibido a venda de armas ao Irão no dia 2 de Dezembro, mas a 5 de Dezembro a competência do Ministério foi remetida para outra entidade e a transacção veio a ser feita no dia 9", denunciou então o democrata-cristão.

O Fundo de Defesa Militar do Ultramar (FDMU) e o comércio e exportação de armamento são as duas principais linhas de investigação seguidas pela X comissão.

A maioria PSD/CDS-PP já disse querer recuperar depoimentos que mostram a preocupação de Amaro da Costa com tráfico de armas, nomeadamente do ex-governante Freitas do Amaral.

 

 

 

 

 

 

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